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Caminhões com excesso de peso na terraplenagemVias públicas deterioradas e menos segurança devido ao excesso de peso dos caminhões

Com certeza você já deve ter pego um buraco ao dirigir com seu automóvel pela cidade ou estrada e ficou muito chateado e insatisfeito com a manutenção das vias públicas, correto? Pois é, esta é a reação de muitos, de simplesmente achar que a solução é somente tapar os buracos, sendo que o ideal na verdade seria prevenir o seu surgimento e o desgaste prematuro das vias públicas, poupando enormes gastos com recapeamento ou operações “tapa-buraco” que em geral criam um enorme transtorno.

Existem inúmeros fatores que podem ocasionar o desgaste prematuro dos pavimentos de vias públicas, como material de má qualidade, problemas na execução, tráfego excessivo, fatores ambientais não previstos como alagamentos ou infiltração de água (vazamentos em tubulações subterrâneas), etc. No entanto, um dos fatores que mais degradam nossas vias e que pode ser perfeitamente evitado é o excesso de peso dos veículos, principalmente dos caminhões.

Neste artigo vamos falar sobre o excesso de peso dos caminhões que transportam insumos para construção civil, mais precisamente sobre o transporte de terra, entulho, areia e pedra britada, efetuado em sua grande maioria por caminhões basculantes de três eixos, 6×2 (truck morto) ou 6×4 (traçado), embora nos últimos anos estejam cada vez mais comuns os caminhões 8×4 (dois eixos direcionais na dianteira).

Identificando o excesso de peso

Como o nosso site trata de temas relacionados à terraplenagem, demolição e mineração, vamos abordar os caminhões basculantes que transportam areia, pedra britada, entulho e terra.

Vamos tomar como exemplo um caminhão basculante Volkwagen 26-220. Pela tabela fornecida pelo DNIT, o PBT (Peso Bruto Total) que corresponde à soma da Tara (peso do caminhão) com a Lotação (peso da carga), é de 23.000 Kg. Se a Tara deste caminhão no chassis é aproximadamente 7.300Kg, acrescido da caçamba basculante certamente terá cerca de 10.000Kg de PBT, permitindo assim o transporte de no máximo 13.000Kg de carga. Considerando que terra argilosa seca pesa aproximadamente 1.800kg/m³, o máximo a ser transportado “legalmente” seria 7,22m³ de terra, ao passo que o que vemos por aí, nas ruas, são caminhões com capacidade entre 15 e 16 metros cúbicos, que representam aproximadamente 28,800 Kg ou mais de 120% de excesso de peso!!!

Caminhão afunda ao criar cratera na via devido ao excesso de peso.Questão de segurança

Ao passar com seu veículo em um buraco, vários danos podem ocorrer como danos aos pneus através da deformação da carcaça, podendo ocasionar vazamentos e até estourá-lo, danos à roda, à suspensão, entre tantas outras avarias e com elas riscos diretos à acidentes devido à uma possível perda de direção ou colisão com outros veículos na via.

Caminhão com excesso de peso perde o freio e invade residênciaAlém dos riscos aos veículos que trafegam na via causados pelo desgaste da mesma, existe é claro o risco imediatamente relacionado ao veículo que trafega com o excesso de peso, foco do nosso artigo.

Caminhões com excesso de peso têm suas propriedades de direção, frenagem e estabilidade comprometidos pois não foram projetados para isso, aumentando assim o risco de acidente e de quebra, podendo ocasionar colisões e em muitos casos o tombamento do veículo. Está se tornando cada vez mais comum cenas onde vias públicas cedem criando enormes crateras que engolem ou tombam caminhões com excesso de peso. Também é comum notícias de caminhões que perdem os freios e invadem residências. É notável que na grande maioria destes acidentes, o que ocorreu não foi o deslizamento (derrapagem) dos pneus na pista e sim, a perca total dos freios do caminhão, geralmente, caminhões com excesso de peso na carga.

Polícia Rodoviária Federal realiza fiscalização sobre caminhões com excesso de peso.Fiscalização e punição

O procedimento ideal para identificação de caminhões com excesso de peso é a pesagem em balanças apropriadas, geralmente instaladas em rodovias, sejam móveis ou fixas. De qualquer modo, o que ocorre é que há muito pouca fiscalização nas estradas ou rodovias e nenhuma dentro das cidades, como se o risco de acidente ou dano à via pública só ocorresse em rodovias e não em ruas e avenidas que cortam as metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro.

Onde existem balanças há a possibilidade de se efetuar a pesagem, embora fiquem fechadas em vários períodos do dia em algumas rodovias, o abuso dos caminhoneiros é reduzido pelo receio de serem multados ou terem seu veículo apreendido. Já em locais onde não existe balança, os caminhoneiros abusam e trafegam com cargas até 2 vezes mais pesadas do que o caminhão poderia transportar. Em trechos de rodovias federais como a BR-116, a Polícia Rodoviária Federal constantemente efetua fiscalizações e autua caminhões com excesso de peso, porém, isto não ocorre com tanta frequência quanto consideraríamos ideal, assim como também não ocorre em tantas  rodovias, estradas, avenidas e ruas como gostaríamos que ocorresse.

Se nas estradas e rodovias a fiscalização é precária, nas ruas e avenidas das cidades ela praticamente não existe. É fato que a coisa mais difícil é ver acontecer ou ouvir relatos de que fiscais de trânsito, também conhecidos como amarelinhos ou marronzinhos, tenham multado algum caminhão por excesso de peso no perímetro urbano. Você pode se perguntar: Como vão autuar alguém sem ter uma balança para comprovar o excesso de peso? Simples, basta verificar o tipo de carga, como areia, pedra britada, terra seca ou terra úmida e multiplicar o peso de cada metro cúbico do material pelo volume transportado no momento da autuação.

Órgãos públicos dão exemplo?

Algo curioso e ao mesmo tempo ridículo é constatar que algumas obras públicas aceitam que empresas trabalhem de forma irregular, trafegando com caminhões com excesso de peso.

Caminhão de obra do metrô com excesso de peso

Foto divulgada na página 71 da Revista M&T n.° 166 de Março de 2013. Fotógrafo não divulgado.

Como pode ser visto na foto acima (clique para ampliar), cujo a metragem está marcada na tábua (também chamada de fominha) caminhões que trabalham em obras do metrô de São Paulo e transportam material muito pesado (geralmente terra molhada ou barro por serem de origem subterrânea e terem maior proximidade de lençóis freáticos), trafegam com até cerca de 18m³. Se considerarmos que a terra molhada (barro) pesa de 1.700 a 1.900 por metro cúbico (m³), só de carga ou “lotação” o caminhão da foto (Mercedes-Benz 2635 / 2638) estaria de 30.600 kg a 34.200 kg, no entanto, ele deveria trafegar com peso bruto total (PBT = Peso do caminhão + Peso da Carga ou Tara + Lotação) de 23.000 kg. Se a tara deste modelo, equipado com caçamba basculante como da foto, gira em torno de 12.000 kg, a capacidade de carga dele para trafegar em vias públicas deveria ser de 11.000kg (12.000 kg Tara + 11.000 kg Lotação = 23.000 kg de PBT) que resultaria em 5,7m³ de carga útil para este tipo de material. Ele está com quase 3 vezes o peso legal permitido.

Agora o que dizer se quem deveria fiscalizar, se os próprios órgãos estatais, sequer dão o exemplo? A situação é no mínimo ridícula.

Porque trafegam com excesso de peso?

Bom, apesar de não concordamos com tal atitude e não acreditarmos que alguém consiga achar que valha a pena arriscar a sua vida e a das demais pessoas apenas para obter maior lucratividade, é esta a razão básica para esta atitude irracional de quem trafega com seu caminhão com excesso de peso. Não adianta usar a desculpa de que tem que pagar a prestação e que o preço por metro cúbico está baixo, isto não é justificativa para andar com uma máquina com até 40 toneladas a 80km/h colocando em risco a sua vida e dos demais motoristas e pedestres.

Para entender como se deu o início deste abuso por parte dos caminhoneiros, é preciso entender alguns termos antes de prosseguirmos. Cada veículo tem um limite de Peso Bruto Total (PBT) que é a soma do peso do veículo (tara) com o peso da carga (lotação). A grande maioria dos caminhões 6×4 fabricados até o início da década de 1.990 tem PBT de 22 toneladas, sendo que os fabricados a partir desta data até os dias de hoje possuem PBT de 23 a 24 toneladas. Além disso, temos o Peso Bruto Total Combinado (PBTC) que é a soma da Tara do caminhão e da carreta (reboque ou semi-reboque) com a carga, e por fim, a Capacidade Máxima de Tração (CMT) que corresponde ao peso total que o caminhão consegue “puxar” ou “arrastar”. Existe ainda a capacidade técnica, que representa a capacidade atestada pelo fabricante através de testes e a capacidade legal, descrita na lei, com limites considerados seguros.

Exemplo de caminhão com a tábua chamada de "fominha" para exceder a capacidade legal de carga.Isto posto, até meados da década de 1.980, os caminhões eram fabricados para suportar peso (capacidade técnica) muito próximo do peso permitido pela lei (capacidade legal), tornando improvável grandes excessos simplesmente por falta de força, potência ou resistência do próprio veículo. A partir da década de 90, a potência e o torque dos caminhões basculantes deram um enorme salto, com a capacidade máxima de tração (o que o caminhão consegue puxar, em forma de reboque ou semi-reboque) para além de 62 toneladas, mantendo o PBT em cerca de 23 toneladas, porém, com capacidade técnica de até 50% acima da capacidade legal, possibilitando assim, que os proprietários destes veículos, cientes de que seus caminhões eram capazes de “arrastar” quase 3 vezes seu PBT legal, aumentassem cada vez mais a altura de suas caçambas excedendo o limite de peso em várias toneladas. Um modelo que exemplifica facilmente esta discrepância entre os limites de peso é o Ford Cargo 3133, por exemplo. Ele pesa com caçamba aproximadamente 10~11 toneladas e tem PBT estipulado em 23 toneladas, logo, possibilita apenas 12 toneladas de carga conforme determina a legislação, porém, poderia puxar junto com um reboque ou semi-reboque até 56 toneladas de PBTC.

O que ocorre é que a sobra de potência geralmente é considerada um desperdício nos basculantes 6×4, afinal, se o caminhão consegue puxar (CMT) até 62 toneladas, porque andar com PBT de 23 toneladas? Assim que a grande maioria pensa, infelizmente. O que não param para pensar é que sobre o chassis do caminhão 3 eixos, seja em caçamba, carroceria ou baú, o máximo permitido é o PBT e não o CMT ou PBTC.

Não é difícil entender e nem tão pouco achar uma solução. Para entender, basta raciocinar um pouco, afinal, quanto mais carga transportada, seja qual for o segmento do transporte, maior é a remuneração. A solução básica, por parte dos caminhoneiros e empresários seria andar com o peso de balança e cobrar mais pelo metro cúbico ou tonelada transportados, mas para isso, seria preciso a conscientização geral dos caminhoneiros e empresas, para que todos o fizessem, o que é bem mais complicado porque já que não há fiscalização (ou interesse político) suficiente, dependemos apenas da consciência de cada um. A sociedade também deveria colaborar, exigindo, no ato da contratação, que os caminhões transportem apenas a capacidade máxima legal ou ainda, denunciando aos órgãos competentes por meio de fotos, por exemplo, caminhões que transitem em vias públicas com excesso de peso (pelo tamanho da caçamba já se pode ter uma idéia de quem está irregular).

Mais informações

Site do DNIT sobre pesagem de caminhões:
http://www.dnit.gov.br/rodovias/operacoes-rodoviarias/pesagem

Tabela de Peso Máximo por Veículo (QFV de Abril de 2012):
http://www.dnit.gov.br/rodovias/operacoes-rodoviarias/pesagem/qfv-2012-abril.pdf

11 respostas para Caminhões basculantes e o excesso de peso

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